segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cotidianas coisas III


"- Se eu conseguir atravessar a pista, antes daquele senhor subir ao ônibus, é porque é melhor viajar, do que ir para aquela festa"

Pois é. Eu tenho esse vício. Pior. Sei que não sou a única. Quantas pessoas não tomam grandes decisões através de “lógicas”, digamos, como esta? “Se tiver mais de dez prateleiras nessa fileira, é porque devo fazer isso, se tiver menos, devo fazer aquilo”. Talvez você pense que isso é uma fuga, uma válvula de escape estúpida para não tomar as decisões baseadas simplesmente na vontade, ou no bom senso, ou na razão. Ou em qualquer rótulo do gênero...

Mas não é



É óbvio que, se alguém me perguntar por que escolhi Jornalismo, por exemplo, não responderei: “Ah, porque consegui andar aquela calçada inteira sem pisar na linha. Mas se eu pisasse em alguma, hoje seria meteorologista!” .

Isso está virando conversa de doido, não é? Mas se você está lendo até aqui, é porque, para o seu pesar, temos algo de comum. Mas logo mais vem o consolo:

Claro que não responsabilizarei os meus passos, a calçada, a prateleira, ou os passarinhos. Embora meu critério tenha sido um tanto peculiar, no fim das contas é tão claro: fiz o que meu íntimo queria. Todos os critérios que adotamos não são absolutamente completos. Para tudo há um pró, há um contra, há um “se”. Até para o ‘tudo’, há um ‘nada’ e um ‘meio termo’.

Se no fim das contas, não temos controle sobre tudo, pelo menos eu não finjo ter...

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